Tinha que lhes ensinar que a idade avançada era uma nova adaptação
Uma nova socialização
Agora me toca habitar esse espaço
Tudo mudou tão rápido e radicalmente!
Tenho que me habituar a fazer uma vida nova todo dia.
Isto não é enfadonho. Ao contrário, para um artista nada como a novidade.
Continuo a me encantar com a eterna novidade do mundo, como dizia Fernando Pessoa
Fascinante! De repente as coisas são mais fáceis. Botões. Cliques. Flashes. Rapidez. 10!
E a vida? Segue nos seus ritmos descontínuos e perenes.
Eternamente mutante e surpreendente.
Escrever continua para mim uma espécie de terra firme. Chão batido. Sabe como é?
Venho da montanha. Mendoza. Argentina. Rochas. Neve.
Mar. Sol. Agora João Pessoa, Paraíba. E no meio Uruguay. O mundo
O que escrever numa hora como esta?
13 de junho de 2026.
Tudo quanto escrevo e faço contém um sem-número de pessoas e influências
Um quebra-cabeças infinito e concreto. Perfeitamente determinável. Vivo nessa costura de tempos. Poetizo. Por isso me alegro e surpreendo, como lhes dizia. Me renovo e prossigo raízes familiares e culturais.
Sonhos antigos e novos habito.
Agora não se trata de enfrentar as ditaduras que assolaram a Argentina e que deixaram marcas de medo e desconfiança.
Se trata de florescer à beira do crepúsculo. Se trata de saber que é um tempo novo. Novas crianças nascem todo dia. Algumas na minha família. Renasço. Bom dia!
Atualização. Autorização. Validação. Veterano. Precursor. Autorizo para mim mesmo a vida nova pela qual lutei e consegui.
Não me obrigo a publicar tudo que escrevo. Escrevo porque me faz bem. Me anima e consolida o que vou aprendendo.
Pessoas por aí escrevem ou curtem o que aqui publico. Agradeço a atenção. Nem sempre tenho algo a responder.
Valorizo acima de tudo este espaço plural e diverso de cultivo da arte poética. Olhares lúcidos e lúdicos. Vida que brota e prossegue. Bom dia!
A poesia traz a vida inteira. É o instante eternizado e habitado.
Viver volta a ser uma aventura. Uma biblioteca viva e rica, móvel e constantemente atualizada.
Volver a los 17 después de vivir un siglo, diz a canção da Violeta Parra. É como descifrar signos sem ser sábio competente. Volver a ser de repente tão frágil como um segundo. Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios.
Ando no meio a esta humanidade tecnificada e mecanizada que, no entanto, continua essencialmente humana. Eu não mudei tanto. Não mudei quase nada. Amanheci e amanheço a cada instante.
Não estou só. Isto é crucial. Abri as portas. Aprendi a confiar de novo. Sim. Esta continua sendo a minha aprendizagem principal. Volver a confiar. En eso estoy. Gracias por tu atención. Os medos continuam recuando. Vou vendo que tudo dá certo. Sempre deu certo e continua dando certo. Não é certo?
É isso aí. Até amanhã! Novidade. Nova idade. Ainda brincamos.
(13-06-2026)




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