sexta-feira, 31 de julho de 2026

Sentidos da arte

Sentidos das artes

Venho da reunião mensal das Travessias Literárias da ADUFPB. O livro em apreço foi o do argentino Pedro Mairal, “A uruguaia”

Como sempre, riquíssima a escuta e a troca de impressões entre as participantes. Sou o único participante homem.

Agora partilho umas ressonâncias acerca desta importante obra da literatura argentina atual. Não sem antes recuperar o que está anunciado no cabeçalho destas linhas.

O que é que a arte faz por mim? O quê é que a arte faz por nós? Digo já de cara, que a experiência artística me resulta em tudo indissociável do próprio viver.

Não posso deixar de evocar o que a escritora Anaïs Nin diz a respeito, no seu livro “Em busca de um homem sensível.”

“Escrevo sobre o que acontece”. Diário. Contar o vivido. O que está sendo. O que vou

sentindo.

Assim é que voltei a viver. Voltei e sigo voltando a ser quem sou

Recupero a minha voz. Me escuto. Sei que estou aqui

Sei que tenho um lugar no mundo

Não é um lugar que me foi dado –e também é, sim, um lugar ou vários lugares que me foram

dados—

É um lugar feito. Eu fiz e faço este lugar que sou

Não é um lugar que me foi imposto. Isso, no entanto, aconteceu ou quase aconteceu várias

vezes

É um lugar que fiz e faço escrevendo e cantando. Pintando e desenhando. Conversando com as

pessoas e sabendo que tenho um lugar no mundo

Eu fiz a minha vida fora de casa. Nas ruas. Em casa de pessoas amigas. Trabalhando.

Lecionando. Estudando

Muitas são as ressonâncias que acordam ao pintar. Ao desenhar. Ao cantar. Ao escrever. Ao poetizar. Ao ver o sol da tarde se pondo e o sol nascente nascendo.

Algo nosso nos repõe à unidade do real. Fazemos esse caminho de volta. Está nas nossas mãos. Depende de nós.

O cotidiano como lugar da vida. As distintas formas de constituição de famílias. O livro de Mairal nos leva para um dia-a-dia em que podemos nos reconhecer. Vale a pena ler!

(31-07-2026)

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Patria

Consigo substraerme a la presión contínua a la visitación de las redes sociales. Ayer tuve la experiencia de vivir casi totalmente en el mundo real. 

Pero hoy ya vuelvo a lo que parece que ha llegado para forzarnos continuamente a estar en otro lugar otros lugares y no donde estamos. 

¿Dónde del donde? Es un homenaje a un argentino que me ayudó a saber mucho sobre mi país, tanto como a conocer mejor lo que significa ser HUMANO. 

Julio Cortázar. Accidentalmente nacido en Bélgica y ahí va la biografia oficial. La mía lo trae de la mano de Mendoza, mi tierra natal, donde supe de él. 

Y lo sigo ya que me sigo viendo en lo que dejó para la humanidad. Un modo entero de ser y de vivir. Una poesía más allá de formalismos. 

Julio Cortázar me ayuda a recordar lo que es la patria. No tiene nada que ver con banderitas ni discursos y menos todavía con cualquier forma de violencia o atropello a la razón. 

Todo que ver con lo que sejamos capazes de construir no dia a dia. No confronto com o que aí está. Balizando territórios invioláveis dentro de nós mesmos/as no meio de um mundo que por aí não têm nada a ver com nossos valores. Aqueles pelos quais e nos quais vivemos.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Final del juego

El juego no tiene final
No hay final al final
Hay una continuidad en la cual
Me sigo adentrando cada vez más
Una realidad que cuentos cuentan
Y poesías recuerdan constantemente
Me ha alegrado el juego de ayer
Futbol humanizado
Crianças sorrindo
Mulheres dançando e cantando
Homens emocionando emocionados
Una vida en que el amor sigue siendo el foco. 

(20-07-2026) 

domingo, 19 de julho de 2026

Domingo

Día de familia
Día de Sol
Día de Dios
¿Hay alguno que no lo sea?
Aquí apostamos na Humanidade
Idade do Humano.
En otro tiempo estaría yendo al kiosko de don Miguel Navarro a comprar La Nación
que mi padre leía
La Nación, que mi padre me mandó por correo con el poema "Después hay que llegar," de Julio Cortázar.
Día de ir a Soppelsa a tomar helados
A Potrerillos a hacer un asado
A levar meus filhos (as) à praia
A ir à praia aqui em João Pessoa ou em Copacabana ou em Niterói
A vida foi passando mas a praia continua ali como eu, como você
Como todas as pessoas que amam o mar
A montanha
A família
O Sol
Os Sóis. 

Poema de soles

Vine a vivir a este lugar al borde del mar donde el sol nace primero

Y este día domingo de julio

En que se define el mundial de futbol

Argentina sale a jugar

Es un juego

Jugamos a ganar y ganamos

Pero no ganamos el campeonato

Un lugar en el mundo

Un lugar donde se pueda vivir

Argentina volvió a ser un lugar donde se puede vivir

Francisco el papa. El papa del fin del mundo

Como él mismo decía, con su sonrisa encantadora

Ahora el sol ya salió y me toca decir a qué vine

Lo dirá por mí este poemita que me alcanzó ayer por la noche

Les dejo con esta luz. Este sol estos soles que no son míos ni tuyos ni de no sé quién

Son soles. Sol es.

Poema de soles

De sol ¿es?
Me alcanzó anoche, creo
Y lo vengo buscando
Sintiendo siendo
Desde antes de nacer
Y esta mañana.  

No es por casualidad que esta mañana viera el sol nacer otra vez como todas las mañanas

Y saber que mi naturalidad y mi espontaneidad

Mi sencillez y mi simplicidad

Tienen todo que ver con esa luz que sale para todas las personas sin distinción alguna.

(19-07-2026)

 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Agradecimento

 

Lembro das palavras do papa Francisco:

“peçam, mas não se esqueçam de agradecer.”

Agradeço a graça recebida

O dom da vida.

Quando agradeço me emociono

Choro de emoção

Então vejo melhor

Sinto segurança.

Levo comigo as marcas do medo

Terrorismo de estado

Nesse estado, ando e vivo

Rio comigo ao sair para caminhar

Olho para as redondezas para verificar se não há suspeitos

Suspeito de tudo

Rio por nada

Vivo tão feliz quanto posso

Assim como sou.

O lugar de escritor

Me dá segurança

Aqui digo o que quero

E sei que chego e faço bem

Tenho um lugar e é um bom lugar

No meio das pessoas

Como quis na minha juventude

Ando por aí como para me certificar

De que está tudo bem

Posso continuar

Está tudo bem

Em mim está tudo bem

E à minha volta também

Vejo os jardins e o mar

Os rostos das pessoas

Oiço as vozes

E sinto o vento

Então sei que é bom

É bom viver

Bom dia!

Fazer parte de uma comunidade

Pertencer a uma comunidade

Nesta minha idade e em qualquer idade

É vital.

Saber que faço bem às pessoas

Com a minha presença e arte

Me faz bem

Ganho assim apreço de mim

E isto é importante

Vital

Vida é isso

Recuperar refazer a vida todo dia toda hora como agora

A estas horas da madrugada do dia 11 de julho de 2026.

A poucas horas do jogo da seleção argentina de futebol

É isso aí

Vida que segue

Bom dia Brasil! Bom dia Argentina! Vamos que vamos.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Lugar de mí

No lo hice solo

Ni podría haber llegado a verme como soy

Ni a ser esto que está aquí

Anidado en el cosmos

El mundo

El universo

Lo que existe

Me guarda y me sostiene

Me contiene y me ampara

Fueron incontables gestos solidarios

Millares de reflejos

Hasta verme y tenerme de nuevo por entero

Esto es lo que vivo hoy y agradezco

Esta sensación sin igual

Donde está cada persona y cada libro

Cada poema y cada cuento

Cada canto

Todos los encantos de esta travesía al borde del crepúsculo.

(No tiene mucho que ver conmigo esto de andar queriendo aparecer tanto por ahí

Si al fin y al cabo soy más bien alguien que trata de pasar desapercibido

Y escribir es un modo de llegar sin hacer ruido.)

(07-07-2026)