Sentidos das artes
Venho da reunião mensal das Travessias Literárias da ADUFPB.
O livro em apreço foi o do argentino Pedro Mairal, “A uruguaia”
Como sempre, riquíssima a escuta e a troca de impressões
entre as participantes. Sou o único participante homem.
Agora partilho umas ressonâncias acerca desta importante
obra da literatura argentina atual. Não sem antes recuperar o que está
anunciado no cabeçalho destas linhas.
O que é que a arte faz por mim? O quê é que a arte faz por
nós? Digo já de cara, que a experiência artística me resulta em tudo
indissociável do próprio viver.
Não posso deixar de evocar o que a escritora Anaïs Nin diz a
respeito, no seu livro “Em busca de um homem sensível.”
“Escrevo sobre o que
acontece”. Diário. Contar o vivido. O que está sendo. O que vou sentindo.
Assim é que voltei a
viver. Voltei e sigo voltando a ser quem sou
Recupero a minha voz.
Me escuto. Sei que estou aqui
Sei que tenho um lugar
no mundo
Não é um lugar que me
foi dado –e também é, sim, um lugar ou vários lugares que me foram dados—
É um lugar feito. Eu
fiz e faço este lugar que sou
Não é um lugar que me
foi imposto. Isso, no entanto, aconteceu ou quase aconteceu várias vezes
É um lugar que fiz e
faço escrevendo e cantando. Pintando e desenhando. Conversando com as pessoas e sabendo que
tenho um lugar no mundo
Eu fiz a minha vida
fora de casa. Nas ruas. Em casa de pessoas amigas. Trabalhando. Lecionando. Estudando
Muitas são as ressonâncias que acordam ao pintar. Ao
desenhar. Ao cantar. Ao escrever. Ao poetizar. Ao ver o sol da tarde se pondo e
o sol nascente nascendo.
Algo nosso nos repõe à unidade do real. Fazemos esse caminho
de volta. Está nas nossas mãos. Depende de nós.
O cotidiano como
lugar da vida. As distintas formas de constituição de famílias. O livro de
Mairal nos leva para um dia-a-dia em que podemos nos reconhecer. Vale a pena
ler!
(31-07-2026)