quarta-feira, 6 de maio de 2026

Florescendo

Começar de novo. ¿Cuántas veces en la vida empezamos de nuevo? ¿Cuántas veces habrán empezado de nuevo las personas que amo, y las que me dañaron? ¿Qué hice de mí en todo este tiempo, sino rehacerme cada vez que la vida me destruyó, o creí que me había destruído? ¿Cuántas veces te tocó a vos, querida lectora o lector, rehacerte de nuevo, una vez más, otra vez, después que todo pareció acabar?

Cada vez más está claro para mí. Recomeço. Começar de novo. Vale la pena. Valió la pena. La violencia que me tocó enfrentar. La traición. La mentira. El engaño. El doblez. Lo más bajo. Traición. No me mató. No me rompió.

Por eso me agarro cada vez más del arte. El color. La fé. El sol que nace y el sol poniente. Vuelve siempre el sol. La amistad. El amor. La lealtad. La gente que no desiste. Gente que me dio una mano al borde, literalmente.

Florecí, cuando vi que fui capaz de hacer flores de toda esa mierda. Cuando vi que a mi lado hubo todo el tiempo una mano amiga. Algo o alguien apoyando, sosteniendo, amparando. Le llamé Dios cuando lo vi entre el sol en mi cara.

Nunca me dejó, ni siquiera cuando pude haber llegado a creer, como de hecho creí, que yo no merecía aquello. Esa luz estaba conmigo. Era un brazo amigo agarrándome para que no saltara. La recuerdo siempre. Una mano amiga no faltó nunca. Por eso estoy aquí.

Insistiendo en la vida. Insistiendo en el amor. Y es un amor concreto, real, efectivo. No es un sentimiento apenas. Es un compromiso innegable e innegociable con el bien y la justicia. La belleza y la felicidad. La paz y la solidaridad. La comunidad que soy y me rodea.

Ilustração: Margarida.

domingo, 3 de maio de 2026

Descarte ou chegança?

Papa Francisco falava no descarte. A civilização do descarte. Não sei se são exatas estas palavras. Mas o descarte é. Até que ponto o legado de Francisco continua a nos tocar? Até que ponto nós, pessoas da terceira idade, continuamos de fato sendo parte da sociedade? Acabo de assistir a um filme argentino, "Parque Lezama," na Netflix. Um pouco é isto. Não toleram os velhos. Tentam nos descartar de todo jeito. Mas ainda estamos aqui. Da minha parte, não só não estou de saída, mas na verdade estou chegando. Machado de Assis falava, não sei se nas "Memórias póstumas de Brás Cubas," na vida como um processo no qual vamos por assim dizer, completando etapas, edições. A edição final é a atual. A síntese e florescimento do viver como um todo. Sinto-me à vontade de deixar vir o que sinto e o que penso. Afinal, esta revista têm um formato de diário. Um espaço de conversa. O que creio ter aprendido sobre tudo neste já longo trajeto que me trouxe até aqui, é que não há palavras finais. E nem final há, no fim das contas. Continuidade, sim, isto é o que tenho visto que existe. Prosseguimos algo que começou antes da nossa nascença, e que fomos modelando ao longo do tempo. O tempo poderia parecer que também foi descartado, neste tempo de não termos tempo para nada. Tudo é pra já. Pra ontem ou anteontem. Será? O sol já vem. O dia vem aí. Tempo para viver, é o tempo que há. Ou devemos fazer esse tempo? Eu creio que enquanto estamos vivos(as) temos essa possibilidade. A de fazermos a vida valer a pena. Que cada dia, cada hora, cada instante conte. É isto.