sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Escrever como forma de ser

Muitos dos meus textos têm encontrado ecos positivos nas pessoas

Isto me alegra e anima.

Escrevendo vou pondo a minha vida a limpo.

Arejo o meu interior.

Desfaço mecanismos de auto-exigência que não me pertencem.

Volto a respirar.

Me permito descansar.

Relaxo.

Paro.

Deixo de querer forçar as coisas.

É certo que muitas vezes necessito me esforçar para fazer alguma tarefa.

Mas trato de me respeitar o tempo todo.

Sair de salvador da pátria, super-homem

Venho para a pessoa que sou

Um homem que a estas alturas da vida

Simplesmente se permite o direito de olhar para o caminho percorrido e dizer:

Acertando e errando aqui estou

Tenho certeza de que os meus acertos cobrem os meus erros

Todos os meus pecados me foram perdoados

Me perdôo continuamente

Me amo como quem descobre o amor sem saber o que seja o amor

A vida recomeça a cada dia

Toda hora

Agora mesmo está a recomeçar

E custa-me deixar a folha

Pois que é lendo e me lendo nas leituras que as pessoas e eu mesmo faço de mim

Que aquele que sou é mais e mais ele mesmo

Escrever como forma de ser.

 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Terapia Comunitária Intensiva

Neste já mais de ano e meio de confinamento

Proximidade da morte

Ficar em casa

Menos movimentos

O movimento foi o de ir para dentro.

Rodas de TCI de manhã, tarde e noite

Literalmente

Mergulho em profundidade

Intensidade.

Isto fiz porque senti com toda clareza

Que ou era isto, ou eu ia de encontro àquilo

Ou aquilo eternamente iria me atormentar

Deu certo.

Lembrarei para sempre destas jornadas

Rostos e palavras e gestos

Uma amorosidade irrestrita me acolheu

Voltei

Vocês salvaram uma vida

E se isto possa parecer algo dramático

Talvez seja, de fato.

Não sabemos nunca exatamente o que as coisas são

O que não posso deixar de dizer e digo já

Sem rodeios

É que agora necessito parar

Descer do carrossel

E voltar a andar a pé

Ou pelas nuvens

Por onde for.

Parar, parar, parar e parar.

A causa exige uma pausa.

Agora é apenas o viver

Chega de remexer

Voltar a olhar o que já vi até o cansaço

O avesso do avesso do avesso

Não é isto?

Ou será aquilo outro?

Afora refletir, é preciso ir

Seguir em frente

Ir e voltar, é certo

Mas ficar de preferência onde todo o tempo se reúne

Aqui e agora

Um aqui e agora robusto, crescido, sadio.

Preciso parar e paro.

Uma pausa

Isto para um artista

E toda pessoa é, se de fato está à procura de si mesma

Se não lhe basta a vida pré-fabricada e imposta

É um desafio

Uma vez que vivemos na intensidade

Mas a intensidade

Essa cidade que nos habita e habitamos

Também se recolhe.

Estes tempos de parar o tempo

Obrigatoriamente

Me fizeram olhar o tempo que passa como algo que não passa

A lua sobe pelo céu e não sei quando a irei ver outra vez

Ou se esta será a última vez

Espero que não

Mas o que eu sei da lua e das estrelas?

Muito pouco, a não ser que estão distantes e são belas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Creo que escribí por varios motivos, finalidades y propósitos

Creo que escribí por varios motivos, finalidades y propósitos

El principal de todos, sino el único

Es, fue y seguirá siendo el de tenerme de vuelta

Cada vez más yo, cada vez más aquí.

Por eso mis textos no traen novedades

Traen sin embargo, algo más valioso

La certeza de que lo nuevo es lo mismo de antes

Es lo eterno, lo que permanece

Lo que no envejece aún envejeciendo

Y que el envejecer

Es ser cada vez más uno con el todo.

Así aunque todo cambie o parezca cambiar alrededor

Es sin embargo lo mismo de ayer aunque tan distinto

Tan más nuevo que cualquier ahora

Tan indescifrable como aquellos manuscritos

Escritos, descriptos

Inscriptos en cada instante de tiempo

Desde el comienzo hasta aqui este escalón de lo eterno.

El Reino de Dios, leemos en el evangelio, no está allá o más allá

Está en nosotros y en medio de nosotros

Es lo mínimo que contiene al todo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Lo aprendido debe ser aplicado

En este momento siento que lo que he visto de mí y de mi historia, me llama para un momento no sé si decir de reflujo, recogimiento, o más bien composición, integración. Sea como sea, lo que quiero decir es esto: que mi objetivo no es acumular ad infinitum, más y más informaciones sobre lo que sea. Lo que he aprendido de mí mismo, de mi historia y de mis estrategias de superación ejercidas a lo largo de mi trayecto de vida, me mueve en una dirección de un simple presente. Un presente integrado y florecido. No creo que deba enredarme en la búsqueda inútil de una perfección inalcanzable. Si hay algo que tengo muy en claro ahora, es que este es un momento de estar en mí. Así como soy. Menos proyecciones, menos preocupaciones, menos obligaciones, menos interpretaciones, menos presuposiciones. Más consolidación y centramiento en el mero y simple vivir. Al final la vida fue yendo sin mucha preparación, ya hacia allí, ya en otras direccciones. Una sensación de unidad que no excluye sino al contrario, se alimenta de la conciencia de la variablidad, multiplicidad e impevisibilidad, me repone a un lugar inicial. Ahora más dueño de mí mismo, y con las mismas marcas del paso del tiempo que aprendo a leer como señales de crecimiento. El aprendizaje me trae a este puerto.

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

¿Por qué no la alegría?

Nunca soy más yo que cuando estoy aquí. Por eso vengo siempre que puedo. Y trato de poder siempre. Aunque sea un ratito. Decir del día que va yendo. Del viento que pasa sin parar. La memoria viene sin cesar. El tiempo vivido se junta en cada palabra. La vida se reúne, se resume, reverbera. Es una canción antigua y eterna. Y yo soy cada sonido, cada silencio. Todas las presencias y ausencias. Todo vuelve y yo vengo en cada palabra. ¿Por qué no la alegría? Si la ponemos nosotros, nosotras. Toda esa pléyade de gente que resiste, insiste. Más allá de insituciones y también más acá y en el medio y en el borde y por todas partes. No nos van a robar lo que no puede ser robado. No busco un estilo perfecto (no sé qué eso) sino expresar, revivir y potenciar un sentimiento.

sábado, 31 de julho de 2021

O sentido da Terapia Comunitária Integrativa

A Terapia Comunitária Integrativa é um movimento interativo, integrativo. O foco é a reposição da pessoa ao seu próprio lugar. Isto é feito pela própria pessoa, em comunidade. Não se trata de formatar nem impor comportamentos. Antes ao contrário, procuramos nos livrar do que não é nosso, sejam atitudes, crenças, papéis. Recuperar o próprio centro. Os próprios eixos. A própria identidade. Esta tarefa é feita em espaços de escuta e acolhimento. A confiança é o principal. Recuperar a confiança na própria capacidade para enfrentar e superar dificuldades. O/a terapeuta comunitário/a é um/a despertador/a de lembranças. Isto desfaz as tensões, a pressão adaptativa imposta, o conflito desnecessário que nasce de tentar agradar ou confrontar sem razão. Culpas, medos, raivas, ressentimentos, são processados na leitura de si que ocorre em comunidade. Não há iluminados nem iluminadas que digam o que devemos fazer com os nossos sentimentos. Somos nós mesmos/as que descobrimos neste mutirão, o que está a nos incomodar. A escuta de si se aprofunda e fica mais sincera, neste hábito de nos despirmos num ambiente confiável e respeitoso. Não se impõem ideologias nem crenças. Inclusão social é praticada, não apregoada. Pessoas são aceitas na qualidade de seres humanos, sem qualquer discriminação. Acolhimento é isso. Agimos em colaboração com universidades, associações de moradores, movimentos sociais, secretarias estaduais e municipais de saúde, pastorais das igrejas. Esta ação aumenta a autoestima e o sentido de pertencimento, valorizando as competências surgidas na luta pela vida. Fortalecemos os nossos valores, que dão sustentação ao existir. A TCI é mais uma forma de ser e de agir, do que meramente um fazer. Enquanto fazer, é um tipo de ação social restitutiva do ser autêntico da pessoa. Desta forma, contribuímos para uma cultura de paz. Não ignoramos os problemas estruturais de uma sociedade baseada na exploração, a violência, os preconceitos, a exclusão social, a desigualdade. A nossa contribuição para a construção de uma sociedade mais justa e amorosa, brota de uma atividade cotidiana de reconciliação interna e externa. Em nós mesmos/as e no nosso existir em sociedade. Mais prática, menos prédica. O discurso do ódio, tão disseminado nos dias de hoje, enfrenta uma barreira intransponível: é a noção clara de quem somos, o que queremos e o que não queremos nem devemos permitir nem aceitar. Os valores superiores são o chão firme em que se apoia a TCI.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

¿Qué hice, qué hago para seguir?

Escribiría algunas palabras a ver si la noche pasa. No la noche de afuera, luna y estrellas. Sino aquella otra noche que desde el comienzo de mi vida veo que siguen insistiendo en plantar adentro nuestro. Me refiero al imperio de la mentira, la prepotencia, la injusticia, el abuso, la falsedad, el engaño, la calumnia, la difamación. ¿Qué hice, qué hago para seguir? Buscar recursos adentro y alrededor. Creatividad. Alegría. Construcción colectiva. Arte. Poesía. Literatura. Pintura. Dibujo. Fé. Amistad. Familia. En el panorama de mi vida sobresale esta cosecha. La recuerdo para saber quién soy y adónde voy. ¿De donde viene mi fuerza? Hay un clima extraño alrededor. Extraño y familiar. En el diálogo y en la escucha me recompongo. Recupero una sensación de unidad. Todo es un intento, una aproximación. Un recordar lo que dio resultado y usarlo.