domingo, 1 de março de 2026

¿Qué hice para llegar hasta aquí?

Hoy sucedió algo que me llamó la atención

No me di cuenta en el momento

Pero sí después por los efectos que sentí en mí

Dictadura no es un tema al que yo pueda volver

No debo volver

No es mi foco, aunque lo fue durante años al hilo. Ya no aguanto más

Mi foco es más bien todo lo contrario. Es la vida. El amor. El respeto a las instituciones.

Esto me obliga a mantenerme focalizado en lo que para mí es el sentido de la vida

Lo que proporciona placer. La belleza. La risa. El canto. La literatura. Lo comunitario. La fe. La solidaridad.

Me siento obligado a decir estas cosas como un mecanismo de autodefensa

Me costó mucho sacarme la mierda que la dictadura había dejado dentro de mí

Recuperar la totalidad de mí mismo.

Es más fácil para mí gozar, disfrutar, tener placer, que revolver la mierda de lo practicado por la dictadura

He recuperado la naturalidad de mi persona y de mi vivir

Soy cada vez más yo

Menos lo otro

Menos sombra menos miedo menos desconfianza menos rabia

Más esperanza más arte más poesía más pintura

¿Qué hice para llegar hasta aquí?

Me fortalecí en lo más valioso. Los valores superiores.

Cada uno en lo suyo. Cada macaco no seu galho. 

(01-03-2026) 

 


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Atención a la vida

Attention à la vie, nas palavras de Alfed Schutz, para se referir àquele tipo de atenção que predomina no “mundo da vida,” na vida cotidiana

Acabo de ver na calçada de em frente, uma moça a bater na porta de entrada do prédio onde mora ou onde pretendia ingressar

O que me chamou a atenção foi a ternura* que senti ao ouvir e ver os gestos, os movimentos, a tentativa dela de se adentrar depois da porta

Gostei de mim, tive um bom sentimento ao meu respeito

Sou essa pessoa, uma pessoa boa que ressoa com o que vê e com o que sente

Com o que sente, mormente

Um amigo e colega poeta e sociólogo esteve aqui em casa na terça-feira passada e disse que aqui até ele poderia poetizar. Escrever um poema. Não lembro exatamente da frase, mas sim do sentido

O sentido. Os sentidos

Que sentido tem escrever e ler?

Leio “Eugenia Grandet,” de Honoré de Balzac

Sereia dorme e eu vejo as luzes do dia que acaba de começar

O que senti ao ver a moça batendo no vidro da porta de entrada do prédio de em frente

O que sinto ao ler este livro de Honoré de Balzac, que me remete a Edgar Allan Poe in “A queda da Casa Usher”

O que sinto ao ler e ver e ao ler e me ver nesta idade, nesta beira de crepúsculo onde transito, nesta manhã de primeiro de fevereiro de 2026

Isto tudo de sentir e dos sentidos

Que sentido tem?

Ser mais. Ser eu mesmo cada vez mais eu, menos medos, menos fantasmas.

Que sentido tem os sentidos? Conexão, contato, afeto, pertencimento, conhecimento, união, ação, solidariedade, criação, criatividade, prazer, eternidade.

Prestando atenção a tudo, estou aqui. Estar aqui demanda toda a minha atenção. Não há outro lugar onde eu possa estar.

O meu trabalho como professor foi, durante anos, o de tratar de presentificar a vida em sala de aula.

Deixar o alheio, o estranho, o morto, o imposto ou implantado, e vir para a pessoa que sou, que é você, que somos e podemos ser.

Eu vinha de um treinamento despersonalizante, alienante, como o que predomina na cultura dominante

Ver nesta altura da vida, que sigo inteiro, é motivo de alegria.

Seja bem-vindo fevereiro. Mês de folia.

Festa. Celebração da vida.

No perderse. Não se perder.

Uma sereia mo lembra.

O sentido é o de ser feliz.

Felizes, a felicidade é plural.

Uma palavra faz a diferença.

Não sou outro, sou eu mesmo.

Não há outra vida, a vida é esta aqui.

Se houver uma outra, e nem duvido que haja, saberei na hora que segue ao instante final, o qual trato de não pensar.

Importa viver agora, esta hora, este instante

Ver o novo em cada pequena coisa. Nada se repete, sabemos. Atenção à vida, então!

Como deixar atrás o inexistente e vir para o presente?

Respirando.

Todo o Ser é uma atenção, um presente.

Sente sinto sinta sim.

Sinta-se bem. Sintamo-nos bem. É preciso. É necessário desfrutar da vida.

Descobrir o sentido dos sentidos, o sentido do viver, a plenitude do sentido, é a razão da minha vida.

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*Lembrei da mensagem do Papa Francisco aos jovens: “Não tenham medo da ternura.” Repare: https://noticias.cancaonova.com/mundo/nao-tenham-medo-da-ternura-pois-ela-dignifica-afirma-papa/ (2024)