domingo, 10 de agosto de 2014

Comunicación

Hay veces que uno no puede dormir, sea porque hay muchas impresiones o sensaciones, sea por algún otro motivo, como ser la entrevista de Julio Cortázar anoche en el canal Encuentro. Tan familiar la forma de hablar del escritor, que en su simplicidad describe algunas de sus obras, como Rayuela. El juego que nos aproxima de dimensiones de la vida de las cuales podemos habernos ido distanciando. Su trabajo, a través de la literatura, para disolver alguns formas de realidad aprisionadoras. Y algo que me llamó la atención, muy positivamente: en un momento, Cortázar dice que para él no puede haber una revolución que prescinda de lo poético, lo lúdico y lo erótico. Me hizo acordar a Paulo Freire, para quien el amor debería ser un ingrediente imprescindible en la construcción de seres humanos más autónomos. En fin, al venir a esta especie de gran plaza en la que tantas veces nos encontramos, uno siente que hasta el insomnio puede ser una buena forma de comunicación.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Ubicación en el presente

Tenía que encontrar mi lugar, un lugar en el presente. No se puede vivir eternamente fuera de lugar. Esto puede habernos pasado durante mucho tiempo, pero finalmente todos y todas necesitamos estar en el lugar que nos pertenece. El lugar al que pertenecemos, el lugar donde podemos ser nosotros mismos. No se necesitan muchas palabras para describir esta tarea por la cual vale la pena haber nacido. Nadie nació para ser otra persona que la que es. Podemos haber pasado años fuera de nosotros mismos, haciendo el esfuerzo vano y doloroso por parecer lo que no éramos -- este es el peor de los exilios--, pero llega un momento e que no nos queda otra alternativa que la de tratar de ser el ser que somos. Esta no es una tarea fácil pero tampoco tan difícil. Al final, es como si necesitáramos dejarnos venir, dejarnos llegar. Hemos pasado mucho tiempo tratando ser quien no éramos. Tal vez esto nos fue impuesto por necesidades de sobrevivencia o de coexistencia social. Pero el ser no puede ser negado indefinidamente. En algún momento, necesitamos respirar, venir a la superficie. La propia naturaleza nos estará ayudando en este movimiento, pues el movimiento de la vida es hacia el ser, hacia la autenticidad, hacia la realidad. Hay veces que es la dificultad, el dolor, lo que nos ayuda a ser quien somos, nos despega las máscaras que se nos habían pegado a la piel y al rostro, y las máscaras caen. Pero otras veces es el amor quien nos da la mano para que vengamos al aquí y ahora, para que lleguemos al presente, para que finamente vengamos a ser y a existir como la persona única que cada uno de nosotros es.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Conversando

A partir do momento em que comecei a escrever e a colaborar em meios digitais, lá pelo ano de 2001, comecei a perceber o enorme efeito terapêutico deste ato tão simples e tão significativo, o ato de se comunicar, o ato de partilhar o que vamos vendo e percebendo. As lições que pude ir aprendendo nesta empreitada, continuam a se mostrar, e continuo achando que seja uma tarefa proveitosa, a de seguir partilhando neste cara a cara às vezes distante, às vezes presencial com as leitoras e leitores, o que vou aprendendo. De longe, o efeito mais benéfico deste ato de escrever e partilhar, é o de ir trazendo para minha própria consciência, a vida tal como a experimento. Não a vida pensada, mas a vida vivida. O exercício de escrever e partilhar, traz como consequência a emergência de um viver mais autêntico e verdadeiro, o retorno de um estado infantil e puro de existir. Isto é muito prazeiroso, porque embora os anos tenham passado, é como se estivessemos indo na contramão da cronologia, cada vez mais jovens por dentro. Posso dizer com toda franqueza, que esta atividade que estou praticando de maneira continuada desde o ano de 2001, foi me trazendo frutos tão agradáveis, que a minha própria vida foi chegando a um estado de integração em que me encontro hoje. É como se o mundo em que vivo, meu dia a dia, tivesse sido moldado com as minhas próprias mãos. Cada vez vivo mais no meu próprio mundo, um mundo que tem a minha cara. Mas isto somente é possível porque tenho praticado o diálogo com um sem número de pessoas com as quais pude ir conversando sobre o que escrevo. Se hoje vivo em um mundo mais humanizado, é porque fui me tornando mais permeável ao que os demais pensam e sentem acerca do que escrevo. Desta forma, esta atividade que é muito solitária em alguns sentidos, foi se tornando cada vez mais social, cada vez mais coletiva, mais comunitária. Sinto que o mundo em que vivo hoje é mais integrado, ou eu me integrei mais no mundo. Isto é muito bom porque é como se progressivamente estivesse chegando ou às vezes estivesse habitando plenamente em uma realidade que as palavras difícilmente conseguem descrever, e sobre a qual posso dizer apenas que é como se fosse a terra prometida. Lembro então muitas vezes das palavras do padre José Comblin, com quem tive o privilégio de conviver por um curto tempo: “a terra prometida estava no seu próprio coração.” As últimas palavras que escutei dele, dirigidas a mim, foram estas: “seja fecundo na sua literatura”. Era em João Pessoa, Paraíba, Brasil. Hoje me encontro em Mendoza, Argentina, o lugar onde nasci. E sinto como se o tempo ao meu redor tivesse se compactado. Nada disto teria sido possível em solidão. É fruto do crescimento que o diálogo possibilita. O diálogo nos humaniza, nos faz gente.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Por quê não (nem genocídio nem indiferença)

POR QUE NÃO. (NEM GENOCÍDIO NEM INDIFERENÇA). É necessário condenar o massacre da população civil que Israel perpetra na faixa de Gaza. Sem dúvida. Mas também é necessário irmos às raízes de fenômenos estruturais que fragilizam os vínculos entre as pessoas no dia a dia. Hoje em dia, é muito frequente a indiferença entre as pessoas. Utilizar o outro e descartá-lo quando não nos serve mais. Isto é muito evidente no que se refere aos idosos, à população mais velha. Não basta não fazer o mal de maneira evidente e ostensiva. É necessário agir energicamente na direção do bem. Nos dias de hoje, existe um certo desprezo pela vida, que se evidencia de muitas formas. Não nos importamos demasiado com os demais. Não damos muita atenção ao que o outro é. E isto é resultado de um desprezo que cultivamos com relação a nós mesmos. A força da rotina pode ter ido deslizando em nós mesmos, uma certa indiferença com relação ao ser que somos, ao ser que cada um, cada uma de nós é. E isto é a origem de uma forma de violência sutil mas muito evidente, que vai minando o nosso agir no dia a dia. Se eu não valho, nada vale, ninguém vale, tanto faz uma coisa como outra, fazer ou não fazer. Não estou falando de regras morais, e sim de atitudes. Não se trata de impor novas normas ao ser humano, mas,sim, de despertar em cada um, em cada uma de nós, o que pode estar um pouco adormecido: o deslumbramento pela vida. O enamoramento profundo pela existência, não apenas humana, mas de todo que nos rodeia: o ar, as plantas, a terra, os animais.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Passado e presente

Esta manhã, uma frase que tenho escutado no contexto das reuniões da Terapia Comunitária Integrativa, me ajudou a descer e começar o dia. “Quando a reação é desproporcional ao fato (presente) não estou reacionando ao fato, e sim àquilo ao que o fato me remete (passado).” Quando compreendi o porquê da minha indecisão face a encarar o começo do dia, percebi que estas tinham raízes no meu processo de chegada ao mundo. Isto eu já tinha compreendido em vários encontros da TCI, mas, como muitas vezes acontece, as fichas demoram a cair. Desta vez caiu, e, com ela a minha hesitação em descer e começar o dia em casa. Por que a desconfiança quanto ao que poderia acontecer? Por que a sensação de não ter um lugar no mundo, um lugar no meio das pessoas? Quando desci e encontrei o espaço e as pessoas, estava tudo bem. A reação desproporcional (indecisão, medo, insegurança) tinha a ver como passado, não com o presente. Mais tarde, conversando com meu pai, percebi o rosto dele, a alegria que dele emanava. Uma serenidade, uma tranquilidade...Tinha ido à aula de pilates, e lá trocado algumas palavras com as colegas. Estava tudo bem. Tem estado tudo bem quase o tempo todo. Rindo comigo mesmo pensava: tal vez a minha sensação de que algo estava errado, era por estar tudo certo! Sei que estas reflexões fazem muito sentido, e tenho certeza de que poderão vir a fazer sentido também para outras pessoas. Daí a minha alegria ao partilhá-las.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Realidad

Esta mañana mientras conversaba con mi padre, me di cuenta de que la mirada poética deshace la ilusión de lo repetido. Esto es algo que yo ya sabía, al menos teóricamente. Pero en ese momento, mientras conversaba com él, tuve la certeza. Ya he hablado muchas veces con mi padre, sin embargo, de algún modo, había algo nuevo en ese encuentro. No sé qué sería, si su alegría al despertar, no lo sé en verdad. Me di cuenta de que muchas veces actuamos automáticamente, damos la respuesta hecha, seguimos el hábito, desconectados de lo que estamos haciendo. Un poco antes, había estado hablando con una vecina que conoce a mi padre. Algo me dijo que me detuviera para conversar con ella. Fue un buen encuentro, también. Me permití una conversación sin preparativos ni objetivos. Charlar por charlar nomás. Y ese encuentro fue como una introducción al que tuve en seguida con mi padre. A veces me parece como si la vida fuera un encaje perfecto, o encajes perfectos que a veces se nos hacen evidentes. Ahora está lloviznando y tengo que esperar un intervalo para salir a hacer algunas diligencias.  

sábado, 19 de julho de 2014

¿Qué hacer?

Pocas preguntas son tan frecuentes y molestas como ésta. Frecuente, porque son incontables las veces por día que nos la hacemos. ¿Voy al cine o al teatro? ¿Barro la vereda o no? ¿Me levanto a escribir estas cosas o lo dejo para mañana? ¿Publico o guardo? Y la lista se extiende. Y digo que la pregunta es molesta porque nos obliga a estar decidiendo todo el tiempo, lo cual da un trabajo bárbaro. Pero esto es inevitable, si es que aún somos seres humanos. Si fuéramos máquinas, la cosa casi no se presentaría, o estaría reducida al mínimo: seguiríamos un programa automático, con pocas alternativas para elegir. Entonces, por más molesta que te pueda parecer la pregunta, es mejor que te la sigas haciendo. ¿No te parece? Lo otro no es un buen camino. La maquinización no nos conviene a los humanos.